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CPI DO PALETÓ

Zanatta nega obstrução e diz que gravou Sílvio para se resguardar 332

Ex-secretário de Silval Barbosa afirma que Emanuel Pinheiro não sabia com antecedência da conversa


Fotografia: Alair Ribeiro/MidiaNews

O ex-secretário de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia, Alan Zanatta, disse nesta terça-feira (21) que resolveu gravar a conversa com o ex-chefe de gabinete do ex-governador Silval Barbosa, Silvio Corrêa, apenas para se “proteger” e “resguardar”. Ele também negou que tenha tentado obstruir o trabalho da Justiça.

 

A afirmação foi feita em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga suposta quebra de decoro por parte do prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (PMDB).

 

Na conversa, o ex-secretário e o ex-assessor comentam sobre a filmagem feita por Sílvio em que deputados e ex-deputados, incluindo Emanuel, aparecem recebendo maços de dinheiro no Palácio Paiaguás, supostamente a título de propina para apoiar a gestão de Silval.

 

A CPI apura se Zanatta tentou obter declarações de Silvio que pudessem inocentar o prefeito. Essa gravação foi entregue pelo ex-secretário a Emanuel.

 

“A iniciativa [de gravar o áudio] foi minha. O Estado estava passando por momentos de turbulência... Fui à casa do Silvio e gravei por proteção, para me resguardar. Não sabia o que ele queria comigo. Quando o 'Coxinha' [que seria um funcionário de Sílvio] foi me buscar no apartamento, me deu esse estalo e resolvi gravar”, disse.

 

Zanatta afirmou que o prefeito não sabia com antecedência da conversa e que resolveu entregar o áudio para ele, após perceber que os fatos não batiam com a delação feita por Silvio.

 

O ex-chefe de gabinete de Silval delatou que o dinheiro recebido por Emanuel era provinente de propina. O prefeito, por sua vez, nega e diz que o montante se refere a uma dívida do ex-governador Silval Barbosa com seu irmão, Marco Polo Pinheiro, relativa a uma pesquisa de opinião.

 

Foi uma conversa tranquila. Revendo a gravação, vi que o que estava saindo na imprensa não batia com a realidade daquilo que eu estava conversando com Silvio. Ai resolvi ligar pro Emanuel e disse que queria falar com ele

"Chegando na casa do Silvio, falamos [sobre] vários assuntos, cenário político, citamos vários políticos. Foi uma conversa tranquila. Revendo a gravação, vi que o que estava saindo na imprensa não batia com a realidade daquilo que eu estava conversando com Sílvio. Aí resolvi ligar pro Emanuel e disse que queria falar com ele ", afirmou.

 

Áudio não foi alterado, diz Zanatta

 

Questionado pelo vereador Adevair Cabral (PSDB), relator CPI, Zanatta esclareceu que não alterou, de nenhuma forma, o áudio.

 

“Do jeito que foi gravado foi entregue [ao Emanuel]. Não há uma vírgula alterada. Se eu tivesse premeditado, ia usar tecnologia. Eu gravei de um celular. A qualidade não é boa, não sou experiente em fazer gravação”, disse.

 

Adevair então questionou se o ex-secretário acha que Silvio mentiu. Alan diz que prefere não responder.

 

O vereador pergunta por que Zanatta resolveu “ajudar” o ex-chefe de gabinete com R$ 6 mil.

 

“Nunca ofereci ajuda. No final da conversa que tivemos, ele pediu ajuda financeira. Na semana seguinte eu ajudei. Fui embora pra Goiânia e pedi que levassem R$ 6 mil a ele. O dinheiro foi entregue ao 'Coxinha'. Disse pro 'Coxinha' ficar com uns R$ 400 porque ele também estava passando dificuldades”, afirmou .

 

Ao vereador Mário Nadaf, Zanatta afirmou não ter conhecimento se o ex-governador pediu realização de pesquisa junto ao Instituto Mark,  de propriedade do irmão do prefeito.

 

“Não sei detalhes. Atuei na campanha do Lúdio Cabral ao Governo e o irmão do prefeito vivia muito com o Silvio. Mas não sei detalhes”, disse.

 

O ex-secretário negou que a gravação tenha sido uma tentativa de obstrução da Justiça.

 

Alair Ribeiro/MídiaNews

CPI do Palitó 21.02

Alan Zanatta é ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito do Paletó

“[Em] nenhum momento houve obstrução. Gravei para me resguardar”, relatou.

 

Insistência em falar do Emanuel...

 

O vereador  Marcelo Bussiki (PSB), presidente da Comissão, perguntou o motivo de Zanatta insistir no áudio que o Silvio falasse de Emanuel e exaltar suas qualidades.

 

“Desconheço, falamos do Romoaldo Junior, do Wagner Ramos, do Silval a quem nos chamamos de “Barbosão”. Falo inclusive do Max [Russi, secretário da Casa Civil] também. Falo de vários políticos. O que falei esta público”, disse.

 

O presidente questionou Zanatta que se, a intenção dele era se proteger, não seria mais lógico guardar o áudio.

 

“Foi decisão minha, porque a hora que eu estava na conversa com Silvio ele dizia algo na linha que Emanuel estava "fu....". Levaria para qualquer pessoa também citada para estabelecer verdade ou me resguardar. Gravei e levei para o Emanuel para saber se serviria pra ele para alguma coisa”, comentou.

 

Zanatta argumentou ainda que não partiu dele a iniciativa de conversar com o Silvio.

 

“Nunca procurei o Silvio. Encontrei 'Coxinha' em outubro de 2016 no Choppão. Silvio ainda estava preso. Quando ele deixou prisão, o 'Coxinha' começou a mandar Whatsapp dizendo que Sílvio queria falar comigo”, disse.

 

Confusão no plenário

 

O vereador Marcelo Bussiki questionou o ex-secretário sobre o esquema milionário de fraudes e propina, dentro da Secretaria de Estado de Fazenda, e que beneficiou a empresa Caramuru Alimentos S/A.

 

No momento da pergunta, o advogado de Emanuel Pinheiro, André Stumpf, pediu questão de ordem e disse que o assunto não tem nada a ver com a CPI.

 

Houve certa confusão no plenário entre os vereadores e os advogados. Felipe Wellaton (PV)  disse, porém, que a testemunha é obrigada responder todas as perguntas.

 

Zannata negou ter conhecimento dos fatos.

 

Esse assunto veio à tona na época da eleição, mas desconheço suposta ilegalidade. Secretário não dÁ incentivo pra empresa A ou B. Quem concede incentivo é Conselho

“Esse assunto veio à tona na época da eleição, mas desconheço suposta ilegalidade. Secretário não dá incentivo para empresa A ou B. Quem concede incentivo é o conselho”, disse .

 

Acareação

 

O vereador Gilberto Figueiredo (PSB) pressionou Zanatta para saber de quem foi a iniciativa de marcar o encontro entre ele e Silvio.

 

O parlamentar lembrou que, quando o ex-chefe de gabinete foi ouvido na CPI, disse que a iniciativa foi de Zanatta, que por sua vez, diz que foi de Silvio.

 

“Eu desafio fazer uma acareação. Isso começou em outubro de 2016. Encontrei  o Sílvio porque o 'Coxinha' marcou. Tanto que o 'Coxinha' me buscou. Eu estou falando a pura verdade. Tanto que no final ele [Sílvio] deixou claro que me chamou para me pedir um empréstimo”, disse Zanatta.

 

Neste momento, o  vereador Abílio Junior (PSC) apresentou requerimento pedindo oitiva com 'Coxinha'.

 

Já o vereador Dilemario Alencar (Pros) apresentou outro requerimento pedindo acareação entre Silvio e Zanatta, em razão das divergências nos depoimentos de ambos.

 

O presidente da CPI, Marcelo Bussiki, perguntou se Zanatta abriria mão de seu sigilo telefônico para saber quem ligou pra quem.

 

"Não sei dizer agora. Mas se meu jurídico entender que não há problema, por mim não há problema nenhum", disse.

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