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EM CUIABÁ; OUÇA

Fotógrafa denuncia ataque racista: “Mucama, crioula maldita” 425

Ataques foram feitos por meio de conversa no Whats; Polícia Civil trabalha para identificar suspeito


Fotografia: Reprodução

A fotógrafa Mirian Rosa, de 32 anos, procurou a Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência, após ter sofrido diversos ataques racista de uma pessoa por meio de áudios via WhatsApp, nesta terça-feira (1º), em Cuiabá.

 

De acordo com a profissional, o interlocutor teceu os comentários racistas pelo celular de uma até então amiga, com a qual ela diz ter rompido a relação após o episódio.

 

Em entrevista ao site G1 MT, Mirian contou que conheceu o autor das mensagens por meio de um grupo de amigos, mas não teve nenhum contato com ele depois dessa reunião, tampouco sabe o nome dele. As mensagens racistas chegaram depois que ela ignorou um áudio da antiga amiga. Nele, a mulher criticava o cabelo da fotógrafa.

 

Em um dos áudios, o homem diz à fotógrafa que “preto não é gente”. Em seguida a chama de “crioula maldita”.

 

“Eu quero saber em que mundo você vive? Desde quando preto é gente? Não vou perguntar para você, quem é você na fila do pão, não. Vou perguntar quem é você na fila do açougue. E eu vou responder para você: pobre não come carne. Então nem na fila do açougue você entra. Entendeu, crioula maldita?”, diz.

 

Em outra mensagem, o homem pega mais pesado nos comentários e a chama de escrava, mucama e chega, inclusive, a perguntar ironicamente se ela teria dono, porque queria saber valor que ela estaria sendo vendida.

 

Reprodução

mirian

O autor do crime teceu os comentários racistas pelo celular de uma até então amiga

“Mirian, é o seguinte: você tem 31, 32 anos ou mais, né? Porque parece que tem 40, não sei. É o seguinte: quero saber se você tem dono ou não porque eu fui no mercado de escravo no Porto e não achei nenhuma escrava com o seu valor. Qual é o seu valor? Eu quero comprar uma escrava, uma mucama, para ser cozinheira, faxineira na minha casa. Eu gosto de ver a crioulada trabalhando pra mim, entendeu?”.

 

Não contente, a pessoa continua com as ofensas contra ela, citando ainda os haitianos. “Única coisa que crioulo sente na vida é o quê? Pode dar tiro em crioulo, pode fazer o que quiser, tacar fogo, que não sente nada disso. A única coisa que crioulo sente é ele no tronco e o chicote nas costas. E não esquece do Dove azul que é de haitiano. Eu vou te dar 12 lacrados na caixa”.

 

“Mirian, essa aqui é para você. Eu vou queimar o carne lá em casa. E eu preciso de você como a matéria: o carvão e o saco de lixo para mim recolher o que restou. Tenha uma boa noite”.

 

Todas as mensagens foram publicadas pela fotógrafa em sua página pessoal no Facebook, em que afirma que tentou marcar a “amiga”, mas que ela teria desativado a sua conta.

 

Em outra publicação a profissional desabafou e relatou que está cansada de mentiras e das pessoas a decepcionando.

 

“Cansada desse mundo de mentiras. As pessoas se fazem de amigas mas no fundo, na hora de mostrar que são mesmo as que mais te decepcionam, às vezes chegamos a acreditar nas palavras e achar que por serem ditas pelas pessoas que se dizem amigos, amigos que muitas vezes não passam de ‘falsos amigos’; tem um imenso valor, depois de brigas, momentos ruins, descobrimos que no fundo, essas palavras eram só mentiras, as pessoas, eram apenas pessoas sem o mínimo escrúpulo que tentam ter caráter mas isso a gente não compra e nem tenta ter a gente cria e é desse caráter que somos feitos. Uns têm bom caráter e outros um caráter ruim, não estou aqui pra julgar ninguém, apenas para mostrar a minha total decepção com as pessoas, com esse povo, com esse mundo! Essas pessoas são leões que escondem as suas garras e quando as suas presas menos os esperam atacam e machucam, ferem, magoam, e deixam feridas que às vezes nem o tempo apaga! A e no final? No final... a gente quebra a cara, sofre de mais, chora muito, muito mesmo, e sabe o que acontece? Tentamos aprender mais as vezes acabamos errando de novo, acreditando nas pessoas e assim vivemos e levamos a vida”.

 

Racismo é crime inafiançável e imprescritível. A pena vai de um a três anos de prisão e multa.

Ouça os áudios:

 

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