• Diamantino, 12/12/2019
RADICALISMO

Ministro critica excessiva interferência judicial: vamos deixar os políticos falarem

Em visita ao HMC, ministro Gilmar Mendes diz que


ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que votou contra o início do cumprimento da pena da em segunda instância, decisão que resultou na libertação do ex-presidente Lula (PT) nesta sexta (8), defendeu o restabelecimento do diálogo para resolução dos problemas políticos do país, sem necessidade de judicialização. Além disso, afirmou que os saudosistas da ditadura desconhecem as mazelas que o Brasil enfrentou nos 21 anos que foi governado pelos militares.


“Vamos deixar os políticos falarem. Não vamos mais  ter intervenção excessiva de juízes, promotores e delegados. A democracia representativa se faz com políticos. É importante restabelecer o diálogo. A adversariedade é normal no processo, mas não a inimizade. Ninguém tem que querer matar seu adversário ou eliminar seu adversário  usando a Justiça para isso”, declarou Gilmar Mendes, durante visita ao novo Hospital e Pronto Socorro (HMC) de Cuiabá, nessa sexta (8).


Para o ministro do STF, boa parte da polarização extrema se deve aos excessos da imprensa. Mesmo não citando casos concretos, deu a entender que o ex-presidente Lula foi perseguido pela operação Lava Jato com intervenção do hoje ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro.


“Todos nós, de alguma forma, deixamos isso acontecer. Eu deploro a situação que chegou ao país em termos de radicalismo, de polarização, mas digo que  isso é obra da imprensa que demonizou uma parte e estimulou essa prática. É o momento de fazer autocrítica. Olhando a repercussão da decisão de ontem (quinta), talvez por excesso de otimismo, eu já percebo que a imprensa está fazendo sua parte neste sentido”, completou.


Gilmar também lamentou que existam jovens, apoiadores do presidente da República Jair Bolsonaro (PSL), que se declaram saudosistas da ditadura. Ressaltando seu profundo respeito pelas Forças Armadas, afirma que é necessário reconhecer o que classificou de “excessos do período”.


“Estamos vivendo 31 anos de democracia no Brasil, com os percalços que temos aqui e acolá. Se um filho nosso desaparece, pode ser um acidente, mas não estará preso por subversão. Fui aluno da UNB de 1975 a 1978. Alguns colegas foram presos e ficaram incomunicáveis por 30 dias. Quando vejo jovens dizendo saudades da ditadura, eu digo: pai, eles não sabem o que fazem e não sabem o que falam. Quando dizem não havia corrupção, eu digo:  não havia é imprensa livre. Com todo respeito que temos pelos militares,  não podemos omitir que houve abusos. Se temos problemas na democracia, vamos trabalhar para aperfeiçoá-la”, concluiu.

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