• Diamantino, 21/03/2019
FUTEBOL AMERICANO

Selecionado para programa internacional da NFL, 'Duzão' de Diamantino 223

Começou a jogar na brincadeira e temeu bronca do pai ao ir para os EUA


Fotografia: Reprodução

Não faz muito tempo que Durval Queiroz Neto teve seu primeiro contato com o futebol americano dentro de campo, jogando sem equipamentos no Tangará Taurus. Agora, ele não consegue acreditar que tem a chance de ser o próximo brasileiro na NFL.


“Eu ainda não acredito, entendeu? Eu trabalho duro todo dia. Treino duas, três vezes no dia. Estou trabalhando como se já tivesse acreditado. Mas eu ainda não acreditei em tudo o que aconteceu”, disse o defensive tackle que vive uma oportunidade inédita para os atletas brasileiros.


Duzão, como é conhecido, é um dos sete integrantes do International Player Pathway Program, programa desenvolvido pela própria NFL para dar oportunidade de atletas estrangeiros entrarem na liga.


Do Mato Grosso para o mundo


Natural de Diamantino, no Mato Grosso, Duzão foi para Tangará da Serra para estudar agronomia, mas incluiu o futebol americano quase informalmente, jogando nos finais de semana, sem equipamento e com pouco conhecimento das regras.


Dois anos depois, em 2015, o Cuiabá Arsenal, um dos times mais conhecidos do futebol americano no Brasil, convidou Duzão e seu irmão, Eugênio Carlos Queiroz Júnior – o “Juninho”, que tem 1,95 m e que também é jogador de linha defensiva – para treinarem com eles.


Durval Queiroz Neto, o Duzão, pode ser o próximo brasileiro na NFL Arquivo Pessoal


“Nós estávamos indo de Tangará para Cuiabá todo final de semana, mais ou menos 500 km de viagem todos os finais de semana. Aí meus pais falaram que se quiséssemos seguir jogando, tínhamos que nos mudar”, disse, explicando que então optaram por transferir a faculdade.


A ida para Cuiabá não foi, nem de longe, tão brusca quanto a caminhada para os Estados Unidos. Mas a cabeça de Duzão estava em uma possível bronca do pai, já que os planos que ajuda-lo depois de formado teriam que ser revistos. A resposta não poderia ser outra.


“Meu pai me falou: ‘Meu filho, imagine o quanto de criança que vai poder se espelhar em você!’”, lembrou, comentando também da responsabilidade que isso traz.


“Antigamente a pessoa teria que sair lá atrás, no colegial, passar pela faculdade, para ter uma chance. A ponte FABR – NFL não existia. Eu já consigo imaginar que isso no coração e na cabeça dos jovens no Brasil vai dizer que o que era impossível agora é possível”, disse.


“Eu tenho a responsabilidade de todo o país. É uma responsabilidade grande e eu tenho que atender tudo isso. Eu estou torcendo para tudo dar certo. Eu recebo mensagens de gente dizendo que sou um espelho para eles. Quando eu imaginei isso? Então isso é importante”, completou.



Por vias tortas


O caminho para esta grande chance começou em 2017, quando ele partiu para os Estados Unidos ao lado de Kenneth Joshen, o KJ, atraídos pela novidade da mudança de regra que permitia a presença de um jogador estrangeiro nos times de treinamento das franquias da NFL.


O primeiro passo foi conseguir seus “números oficiais”, ou seja, ter registro de seu desempenho em atividades que fazem parte do Combine. E esta era a parte menos complicada.


“Eu treinei um mês só, não estava preparado, mas eu não sabia se ia ter outra oportunidade”, contou. “Eu fiz, consegui meus números oficiais e o KJ começou a mandar isso para os times. Contar nossa história”.



“Ele sempre fazia isso e falava que era ‘elegível para o International Pathway’, e a resposta dos times é que meu nome não estava na lista. Aí nós descobrimos do NFL Undiscovered”, disse, lembrando do momento em que descobriram da necessidade dessa aprovação da NFL para poder entrar no programa.


“A gente estava desconsolado”, lembrou.


“Até que em um sábado recebemos a ligação desse scout internacional, que fica no escritório que cuida disso, em Londres. Choramos, nos ajoelhamos, agradecemos”, contou.


O observador entrevistou Duzão e mandou ele voltar para o Brasil. A ideia era de que ele seguisse jogando e se mantivesse saudável nos meses seguintes. Então veio a oportunidade de defender o Galo FA no FABR, e o jogo contra o Lusa Lions contou com os olhos do observador.


Então veio a confirmação de que a trajetória enfim tinha chegado ao seu destino, com uma oportunidade real de Duzão se aproximar do sonho.


A base no tatame


Com 1,94m e pesando 150 kg, Duzão precisa ter agilidade para se livrar dos adversários e buscar o quarterback rival. E aí que os treinamentos de judô desde os quatro anos de idade aparecem para ajudar.


“Desde os 17, 18 anos eu sempre tive este biótipo, mas o que não me deixou ser um gordo sem agilidade foi o judô. A minha base, o meu equilíbrio. Isso me ajuda muito. O fato de conseguir cair no chão e fazer um rolamento sem me machucar, tudo eu trouxe do judô”, contou.


Tudo isso foi notado e elogiado pelos olheiros da NFL, que viu no brasileiro algumas características que não encontram nem mesmo em jogadores formados nos Estados Unidos.



Já chegou fazendo a diferença


Além de mexer com o imaginário dos jovens que sonham em jogar na NFL, Duzão pode ajudar de outra forma.


Sediado em Greenville, na Carolina do Sul, terra da Universidade de Clemson, ele se deparou com uma abundância de equipamentos para a prática do esporte, algo totalmente contrário do que acontece por aqui.


Foi daí que surgiu a ideia de juntar 1.000 chuteiras para mandar a atletas sem condições de adquirir equipamentos para jogar no Brasil. O projeto já conta com ajuda até de jogadores da NFL, como Adam Humphries, recebedor do Tampa Bay Buccaneers, que treinou com Duzão no TNT Sports, durante a offseason da NFL.

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